Gás Natural
As reservas mundiais existentes de gás natural, gráfico da esquerda da Fig. 1.4, tendo como referência o consumo do ano de 2007 para o seu cálculo, são de 60 anos, criando também alguma pressão nesta energia primária. Da mesma forma que o petróleo, a descoberta de novas jazidas permitiu fazer face ao consumo e aumentar as reservas até ao ano de 2000. A partir deste ano a descida das reservas é progressiva.
Figura 1.4. Reservas de gás natural global (esquerda) e por regiões (direita) tendo por referência o consumo do ano de 2007 em anos (BP, 2008).
A distribuição das reservas de gás natural pelas várias regiões é também, como o petróleo, diferente pelas várias regiões, ver gráfico da direita da Fig. 1.4. Repetindo a pior posição já existente em relação às reservas de petróleo, a América do Norte volta a ter a mesma posição, em reservas de gás natural, agora com reservas para sensivelmente 10 anos. A região da Ásia e Pacífico que teve o maior aumento de consumo em 2007, ver Tab. 1.III, as suas reservas estão ligeiramente abaixo dos 40 anos. As restantes regiões têm reservas acima dos 40 anos, destacando-se novamente o Médio Oriente onde ultrapassam os 200 anos.
Volta a ser importante salientar que a segunda e terceira região com maior consumo de gás natural, Ásia e Pacifico e América do Norte, ver Tab. 1.III, têm as duas menores reservas da mesma energia primária. A UE também está numa posição difícil, dado que está inse¬rida na região da Europa e Eurásia, que tem o maior consumo de gás natural (39 %), ver Tab. 1.III, mas as mais importantes reservas desta região localizam-se fora da UE. Esta situação da UE é preocupante pois cria um aumento crescente da sua importação de gás natural, agravada pelo aumento do seu consumo no ano de 2007, ver Tab. 1.III.
Carvão
Na Fig. 1.5 são apresentadas as reservas mundiais de carvão por regiões, tendo por refe¬rência o consumo do ano de 2007, em anos.
As reservas mundiais existentes de carvão, Fig. 1.5, tendo como referência o consumo do ano de 2007 para o seu cálculo, são enormes face às reservas das outras energias primárias já analisadas. A sua distribuição é muito desequilibrada, dado que três regiões têm reservas que ultrapassam os 250 anos e as restantes três regiões têm reservas muito baixas. Como se pode ver na Fig. 1.5, o Médio Oriente, onde se localizam as maiores reservas de petróleo e gás natural, ver Fig. 1.3 e 1.4, só existe reservas de carvão para pouco mais de um ano, caso se mantenha o ritmo de extracção actual. Outro aspecto muito importante a reter é o de as maiores reservas de carvão se localizarem nas regiões com menores reservas de petróleo e gás natural, ver Fig. 1.3 e 1.4, permitindo um aumento da extracção, como está a acontecer na região da Ásia e Pacifico.
1.3› CONCLUSÕES
A principal energia primária consumida no ano de 2007 foi o petróleo com 3.953 milhões de TEP, correspondendo a 36 % do consumo total. O consumo de petróleo, gás natural e carvão, no ano de 2007, totalizou 89 % do consumo global de energia primária. Esta situação é problemática por serem energias fósseis, e por isso finitas, e também por serem a principal fonte de GEE. O consumo da energia hidroeléctrica, única energia primária com alguma expressão e renovável, correspondeu a 6 % do consumo mundial e ficou em quarto lugar nas energias mais consumidas.
Figura 1.5 . Reservas mundiais de carvão por regiões, tendo por referência o consumo do ano de 2007 em anos (BP, 2008).