O consumo de energia primária no ano de 2007 cresceu 2,4 %, mais 256 milhões de TEP, face ao consumo verificado no ano de 2006. O maior crescimento verificou-se no carvão, correspondendo a 53 % do aumento global de energia primária e 4,5 % face ao consumo do ano anterior, o que é preocupante por ter a maior contribuição de GEE, das três principais energias primárias consumidas. O segundo maior crescimento foi do gás natural com 31 % do aumento global e 3,1 % face ao ano anterior, sendo positiva este aumento por ser das três principais energias primárias consumidas a que menos contribui para a emissão de GEE. O petróleo só cresceu 16,3 %, indiciando um menor crescimento da procura, já que é actualmente a energia primária com maior consumo.
No consumo por região estão claramente destacadas três regiões onde o consumo correspondeu a 87 % da energia primária total: a Ásia e Pacífico com 34 %; a Europa e Eurásia com 27 %; a América do Norte com 26 %. A região da Ásia e Pacifico foi a região que mais aumentou o consumo, face ao consumo do ano anterior (5 %). Mas este aumento correspondeu a 70,7 % do aumento global, identificando nesta região, um aumento de industrialização e do poder de compra das suas populações. O segundo maior incremento foi na América do Norte com um aumento de 1,6 % e de 17,4 %, respectivamente ao consumo do ano anterior e em relação ao aumento global. Outro aspecto relevante a salientar foi a diminuição do consumo na região da Europa e Eurásia em 0,7 %, face ao consumo do ano anterior.
As reservas mundiais de petróleo e gás natural, com base de referência o consumo do ano de 2007 para o seu cálculo, são respectivamente 40 e 60 anos. A região da América do Norte, onde se verifica o maior consumo de petróleo e o segundo maior consumo de gás natural, tem a pior posição quanto às reservas dos dois combustíveis, que são respectivamente de 14 e 10 anos. A UE também está numa posição difícil, já que a maioria das reservas dos dois combustíveis na região da Europa e Eurásia se localizam fora do seu território, obrigando a um aumento da importação de gás natural devido ao aumento de consumo. No caso concreto do petróleo a UE conseguiu diminuir o seu consumo em 2%, face ao ano anterior.
As reservas mundiais existentes de carvão, tendo como referência o consumo do ano de 2007, ultrapassam os 250 anos. A região do Médio Oriente, que tem as maiores reservas de petróleo e gás natural, tem a pior reserva de carvão, sendo de cerca de um ano. Por outro lado, as maiores reservas de carvão localizam-se nas regiões que têm menores reservas de petróleo e gás natural.