Desde meados do século XIX até à actualidade, o petróleo e os seus derivados têm tomado conta do nosso quotidiano e de tudo o que dele depende para gerar energia e alimentar a Humanidade. Mas, até quando terá o nosso planeta recursos suficientes, capazes de permitir que o Homem possa evoluir?
Dada a preocupante escalada do preço e consumo dos combustíveis fósseis e os seus efeitos para o planeta, numerosos têm sido os debates sobre esta temática, bem como os acordos que os vários governos assinam em prol de um mundo energeticamente mais equilibrado e menos dependente do petróleo. Contudo, poucas têm sido as soluções encontradas e colocadas em prática para tornar possível uma substituição total do uso do petróleo, por outro tipo de energias.
É do conhecimento de todos, que o pico de produção de petróleo já foi atingido, as reservas de crude só alimentarão o mercado por mais cerca de 10 anos aos níveis de consumo actual, e o seu preço vai continuar a aumentar. Por outro lado, as preocupações ambientais no que se refere à poluição, produção de CO2 e aquecimento global, quando se recorre aos combustíveis fósseis para a produção de energia, estão a conduzir várias empresas a darem particular enfoque ao desenvolvimento e crescimento na produção de energias renováveis, como a energia das ondas, hídrica, eólica, fotovoltaica, solar térmica, biomassa, etc. É verdade que os dispositivos que as produzem, necessitam de um grande investimento e é também necessário que os governos apostem e incentivem, tanto as empresas como os particulares, a produzirem e adquirirem estes novos tipos de tecnologia. O grande problema, centra-se não só no investimento, como também na informação e divulgação dos benefícios da utilização das energias renováveis, bem como da racionalização energética.
A solução para a crise energética tem que ser enfrentada com utilização em grande escala das energias renováveis preservando as reservas de petróleo ainda existentes.
Olhando o futuro nesta perspectiva, o fim do petróleo economicamente viável, pode representar para Portugal, uma boa oportunidade de vencer a sua dependência energética externa, já que o potencial de energias renováveis é abundante! Portugal, ocupa a 8ª posição no ranking dos países mais atractivos para o investimento internacional em energias renováveis (fonte: Renewable Energy Country Attractiveness Indices, realizado pela Ernst & Young). É portanto um país, entre os 10 destinos mais atractivos ao investimento global em energias limpas e cada vez mais competitivo nesta indústria.
Se fizermos uma avaliação de todo o processo evolutivo da produção, procura e consumo de petróleo, surgem várias questões para as quais são pouco claras as respostas dadas pelos governos e entidades competentes...
- Haverá alguma forma de energia capaz de substituir totalmente a dependência do petróleo?
- Haverá um período de transição, capaz de permitir que a Humanidade possa desenvolver sistemas e tecnologia independentes do recurso aos combustíveis fósseis?
- Estaremos nós a atravessar esse período transitório ou ele já deveria ter começado há mais tempo?
- Estará a Humanidade preparada para enfrentar tão rapidamente as mudanças económicas, políticas e sociais que lhe estão implícitas?
- Quais as consequências do fim dos recursos fósseis?
Estará ainda bem presente na memória de muitos, os efeitos causados pelas greves, manifestações e protestos levados a cabo pelos pescadores, agricultores e transportadoras europeias, dado o aumento dos combustíveis. Particularmente em Portugal, deixou de haver capacidade de prover as grandes superfícies de bens essenciais, causaram-se acidentes, houve uma procura desenfreada aos postos de abastecimento, o quotidiano nacional foi profundamente afectado até que se tornasse possível restituir a normalidade.
Pensemos agora, em dar uma dimensão maior a esses efeitos quando se aproximarem os dias do fim dos recursos fósseis… Alarguemos agora esta situação à escala mundial… Sendo os barcos, os aviões e os camiões os únicos meios de transporte de mercadoria em grandes quantidades, como será possível fazer a ligação entre países e os seus habitantes se não houver petróleo? Irá a indústria parar de produzir? E a agricultura? E a pesca?
As energias alternativas disponíveis dificilmente suportarão os tipos de infra-estruturas de transportes, alimentação ou habitação que possuímos actualmente. Desta forma, a transição para a nova forma de vida implicará um “redesenhar” quase por completo das sociedades industrializadas num curto espaço de tempo.
Torna-se portanto necessário uma dedicação e empenho por parte da todas as comunidades em investir, investigar, desenvolver, gerar competências e criar alternativas suficientemente capazes de permitir que a Humanidade possa continuar a evoluir sem recorrer aos combustíveis fósseis.
AUTOR: Luís Martins - ISEP