Integração de sistemas – abordagem

Para que um edifício possa ser seguro, é preciso que os seus espaços sejam projectados, dimensionados e equipados com um conjunto de instalações técnicas, as quais devem ser correctamente utilizadas e conservadas através de equipas de manutenção.

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Integração de sistemas – abordagem
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Em face da multiplicidade de infra-estruturas técnicas presentes num edifício ou grupo de edifícios, a aplicação de serviços centralizados, conduz-nos à racionalização, optimização e rentabilização dos meios técnico e humanos, contribuindo para a prestação de serviços rápidos e eficazes, ao mais baixo preço, usufruindo do efeito “economia de escala”.

Ora, a experiência diz que, nem sempre o menor investimento representa a melhor e mais económica solução a médio/ longo prazo. Ou seja, não se justifica instalar sistemas cuja exploração venha a precisar de meios técnicos ou humanos que não se encontram previstos ou que coloquem em causa a viabilidade e/ ou a qualidade dos equipamentos/ prestação de serviços aos utilizadores dos espaços, anunciados na promoção imobiliária.

Se o dimensionamento e implementação de soluções tecnologicamente evoluídas for feito correctamente, permitirá reduzir o número de efectivos para a utilização do sistema e proporcionará um elevado nível funcional e operacional, aumentando a eficácia na prevenção, detecção e reacção a situações que ocorram no quotidiano do condomínio.

Um espaço inteligente é aquele que proporciona aos seus utilizadores uma total satisfação em termos de conforto, segurança, comunicações e poupança de energia.

A componente segurança está englobada no conceito de espaço inteligente, uma vez que este implica a protecção dos utilizadores dos espaços, quer ao nível de assaltos e intrusões, quer ao nível de acidentes domésticos, como incêndios, inundações, fugas de gás ou similares, para o que poderão ser instalados detectores, circuitos fechados de televisão (CCTV) sirenes de alarme, apelo telefónico dos serviços de segurança, procedimentos de emergência, corte com electroválvulas, etc.

No projecto deve ser equacionada não só a arquitectura dos edifícios, mas também: uma arquitectura de relacionamento de edificações e espaços livres de uso colectivo e público, uma arquitectura de composição do cenário da vida colectiva, dos espaços de permanência (reunião) e dos espaços de movimento (circulação), uma arquitectura dos espaços urbanos onde as pessoas se sintam à vontade.

Antes de ser elaborado o projecto de instalações técnicas especiais é fundamental ser feito um levantamento dos requisitos pretendidos, acompanhado da respectiva definição do esquema de utilização previsto, bem como dos meios disponíveis para a sua exploração.

Para interpretar as necessidades de integração técnica do(s) edifício(s)é preciso analisar quais os principais objectivos a atingir com a implementação dos serviços técnicos integrados do espaço.

DEFINIÇÃO DE OBJECTIVOS

  1. Requisitos/ Benefícios: Compreender as necessidades dos espaços e avaliar a relação tecnologias disponíveis/ necessidades dos utentes/ soluções técnicas integradas a instalar.

  2. Análise Macro – Sistemas e Serviços: A análise macro da solução global pressupõe responder nesta fase à interpretação das necessidades dos espaços, deixando para uma segunda análise, o projecto da solução vista pelo prisma do cliente (Análise Micro).

De acordo com a sua dimensão, arquitectura e nível de serviços associados, os espaços podem, no limite, ser constituídos por uma diversidade de construções e estruturas às quais se encontram também associados diferentes requisitos de utilização. Seja quais forem as características dos espaços, estarão sempre presentes instalações do tipo individual, como por exemplo: apartamentos ou escritórios e estruturas de utilização colectiva, como estacionamentos ou outros espaços comuns.

Actualmente e no futuro, qualquer construção tem forçosamente que estar equipada com instalações técnicas especiais que:

  • Assegurem a Segurança das pessoas, dos bens e de processos
  • Contribuam para o Conforto, através do Controlo e Automação – Domótica de equipamentos técnicos (iluminação, climatização, etc)
  • Permitam a interligação e integração de todos os sistemas através de Rede de Comunicações fiáveis e redundantes.

Em complemento ao correcto dimensionamento dos sistemas técnicos, é ainda fundamental que estes sejam utilizados e explorados por pessoal devidamente formado e identificado com as necessidades dos utentes, proporcionando a promoção, tal como já foi referido, da prestação de outros serviços suplementares que concorram para a eficiência e satisfação total de todos os utilizadores que, por razões pessoais e/ ou profissionais, frequentem o espaço.

Soluções Técnicas

Como ponto de partida do dimensionamento das soluções técnicas a implementar, dois princípios fundamentais devem ser tidos em conta: a integração e a rentabilização, sem os quais não é possível cumprirem-se os objectivos de segurança, conforto e economia requeridos.

Em primeiro lugar, é preciso classificar genericamente os Edifícios, locais e/ ou espaços aos quais se pode aplicar o conceito “Macro” como por exemplo: Estacionamentos, Edifícios Técnicos, Piscinas, Health Clubs, Jardins e Lagos, Parques infantis, Campos de Golfe, Infra-Estruturas desportivas e todos os locais e/ou instalações de utilização comum.

Em seguida, é necessário considerar um conjunto de instalações técnicas, constituído por diferentes equipamentos, sistemas e soluções, aos quais têm forçosamente de se encontrar associados serviços profissionais de valor acrescentado, devendo a associação ser pensada no sentido de contribuir para a protecção dos espaços, segurança das Pessoas, automação de Processos, conforto dos utilizadores, comunicação e entretenimento dos utentes.

Face à diversidade e complexidade dos temas a abordar no âmbito Macro, é preferível dividir e organizar os tópicos em quatro temas principais:

  • Integração e gestão técnica centralizada,
  • Protecção e segurança,
  • Comunicações.

Gestão Técnica Centralizada – Operação e condução

A unidade central do sistema de gestão, comando e controlo distribuído constitui a estação de comando do sistema de controlo do edifício e deverá oferecer aos utilizadores uma apresentação clara (forma gráfica e numérica) da visualização, operação e monitorização de todas as instalações técnicas do sistema.

Na unidade central são executados os seguintes módulos de software:

  • Software gráfico para monitorização e operação de todo o sistema de controlo, com apresentação dos ecrãs gráficos estáticos e dinâmicos em tempo real, ecrãs de texto com ajudas e informação auxiliar e detalhada orientada para o utilizador, apresentação de dados de funcionamento e tratamento de alarmes, falha e eventos do sistema;

  • Software de programação dos controladores de comunicações que permite aos utilizadores, disporem de funções adequadas para a monitorização e operação do sistema;

  • Software para recolha e tratamento de alarmes provenientes da instalação, com rotinas de reencaminhamento, reconhecimento e actuações manuais ou automáticas.

ANÁLISE MICRO

No âmbito das instalações individuais, aqui classificadas de “micro”encontram-se os apartamentos e/ ou moradias cuja utilização seja efectuada em regime permanente ou temporário (arrendamento).

Actualmente, todos sentimos necessidade de protecção contra qualquer tipo de acidente ou acto que possa colocar em risco pessoas e/ ou bens. Encontram-se nestes casos a prevenção contra os riscos de incêndio, fugas de gás, inundações, intrusão, roubo e vandalismo.

Ao conjunto de medidas e equipamentos que previnem e detectam os riscos enunciados, convencionou-se designar por Segurança.

Noutro âmbito e sem prejuízo ou redução dos níveis de Segurança, cada vez mais as nossas casas são dotadas por um conjunto de equipamentos técnicos para aquecimento, ar condicionados, som ambiente, etc. que visam dar resposta às nossas, cada vez maiores necessidades de bem-estar e Conforto, conjugadas com a optimização permanentes de custos.

Por outro lado, tanto os equipamentos e sistemas de Segurança, como os equipamentos técnicos de Conforto, devem apresentar-se integrados, comunicantes e serem utilizados numa perspectiva de automação de funcionamento, conduzindo-nos assim à Domótica.

Finalmente, é ainda necessário que todas estas facilidades: notificação de ocorrências e/ ou controlo e comando dos equipamentos possa ser disponibilizada em qualquer local e a qualquer hora, tornando-se portanto imprescindível a utilização das aptidões e faculdades proporcionadas pelas Telecomunicações.

O sistema de controlo deverá monitorizar permanentemente todos os pontos da instalação a ele conectados para detecção de alarmes, eventos para qualquer ponto do sistema seja físico ou calculado, tais como: trocas de estado, limites superior e inferior de valores analógicos, discrepância entre a ordem dada e o estado, etc. Deverão igualmente ser geradas mensagens de alarme em caso de falhas na rede de comunicações do sistema de controlo.

Para o sistema de comunicações de um espaço inteligente, justifica-se uma rede TCP/ IP. A vantagem desta rede é poder transportar qualquer tipo de tráfego de dados. Assim, o sistema de comunicações é capaz de transportar os dados do sistema de gestão técnica, do sistema de segurança integrada, do sistema de comunicação de voz sobre IP (VOIP) e de qualquer outro sistema que funcione sobre o protocolo TCP/ IP, de qualquer ponto do espaço, para outro: sistema de cablagem estruturada.

Internet, e-mail, faxes, chamadas telefónicas com escolha automática da tarifação mais barata, consoante o tipo de chamada (local, regional ou internacional) os diversos canais de TV, imagens do circuito fechado de vídeo vigilância que a cada um diga respeito, intercomunicação gratuita entre vizinhos do espaço, são alguns, entre muitos serviços que este meio pode proporcionar.

Por outro lado, o sistema permite que os utilizadores escolham os produtos e serviços que mais lhe convêm numa determinada época do ano ou fase da vida, nunca comprometendo: nem os meios, nem os serviços que podem ser requeridos por outro dos utilizadores. Sem dúvida que uma solução destas junta o útil ao agradável e o prático ao económico.

Integração de sistemas: O factor chave na criação de espaços inteligentes.

Artigo extraído do livro técnico: “A inteligência que se instala” do mesmo autor, editado pela Ordem dos Engenheiros.

AUTOR: Alexandre Chamusca - Eng. Electrotécnico, ramo Telecomunicações e Electrónica – IST e ESEGUR: Director Novos Projectos


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Fonte: O Electricista

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