
O novo director do gigante em gestão global de energia é brasileiro e vem da Colômbia, onde era igualmente director geral para a Schneider naquele país (assim como para a presença ainda relativamente discreta da Schneider no Equador). Formado em engenharia eléctrica e de potência e em gestão de empresas, ele pretende maximizar as potencialidades da Schneider em Portugal, assim como introduzir uma nova forma de estar da própria empresa, em relação a si própria, e ao modo como esta comunica com os seus clientes e com os meios de comunicação.
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| Luís Valente |
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Fale-nos um pouco da implementação da Schneider Electric em Portugal e no Mundo.
A Schneider é uma corporação global, presente em mais de 150 países, com mais de 120 mil trabalhadores e 105 marcas, sendo que muitas delas não foram marcas criadas mas sim marcas adquiridas pela Schneider, tais como a Telemecanique, por exemplo. Estamos actualmente na lista das 300 maiores empresas do planeta e somos especialistas globais em gestão de energia, controlo de potência, eficiência energética, controlo de potência, etc.
Quanto às nossas operações, replicamos neste momento as estratégias do grupo global assim como a sua oferta. Temos cerca de 230 pessoas a trabalhar em Portugal, e temos aqui uma unidade de serviços, ofertas novas e novas oportunidades ligadas à gestão e à eficiência energética. Todas estas são áreas onde estamos a apostar com bastante força.
Em que novas áreas de negócios se irá movimentar a Schneider Electric no futuro próximo?
Existem negócios novos onde iremos apostar, mas também existem negócios actuais no mercado que não estamos a aproveitar e que planeamos aproveitar melhor. A Schneider Electric ir-se-à direccionar cada vez mais para soluções integradas, para grandes utilizadores, integrar soluções completas juntamente com parceiros comerciais, ou então separadamente utilizando os próprios fornecedores, mas sempre com atenção ao cliente final e às suas necessidades. É um fortalecimento de um nicho de oportunidade que não estávamos a explorar. Algo que não existe e no qual vamos apostar fortemente é nas novas energias. Já temos presença mas pretendemos reforçá-la. Já existimos nas eólicas, foto voltaicos, serviços na área eléctrica, diagnósticos e propostas de energia. É algo muito actual, pois, hoje, fala-se muito da energia e da sua importância, mas não se faz muito ainda no campo da eficiência.
A gestão energética é um tema muito em voga actualmente. Isto pode ser uma oportunidade ou uma ameaça para uma empresa como a Schneider?
A mudança das mentalidades neste campo e a recente importância dada a este assunto pode representar uma excelente oportunidade de negócio. A energia é um bem caro, e nalgumas empresas representa uma parte substancial do orçamento. Parte da nossa visão é a de que se a energia for bem aproveitada, poderemos retirar enormes proveitos para as empresas apenas através da poupança e da melhoria da eficiência.
A sua chegada a Portugal é bastante recente. O que é que a sua experiência pode trazer de novo à Schneider Electric em Portugal?
Não sou assim tão novo aqui, pois já estou em Portugal há 8 meses. Faço parte do Grupo Schneider há 9 anos, sou de origem brasileira, mas vim para Portugal proveniente da Colômbia, onde estive 4 anos e meio.
Uma visão que eu tenho é a de que Portugal faz parte da Europa, mas não é a Europa. Os negócios aqui são diferentes dos negócios na Alemanha, por exemplo. Mas de um modo geral, eu diria que as diferenças não são muito marcantes entre Portugal e, por exemplo, a América do Sul. O tipo de oferta é diferente, pois é obviamente mais alinhado para as necessidades de cada mercado. Os standards inclusive, são um pouco diferentes dos de Portugal. Mesmo a oferta aqui é algo diferente, pois alguma dela até eu desconhecia que existia, mas tenho vindo a aprender. Mas no geral, eu diria que o modo de fazer negócios não é muito diferente. Talvez o europeu seja mais formal.
Mas voltando à pergunta, julgo que posso trazer uma outra visão. O modelo de negócio da Schneider é muito forte mas entendo que pode ser muito estendido. E julgo que as minhas experiências anteriores, principalmente por serem adquiridas num outro continente e de conterem diferentes perspectivas de mercados, podem ser uma mais-valia.
Como vê a relação da empresa com a imprensa?
A Schneider Electric é uma empresa low profile em termos de visão pública. Isto é algo que faz parte da própria cultura da empresa, mas é um valor que se encontra actualmente em processo de mudança. Tradicionalmente temos uma grande presença na imprensa especializada, mas nos grandes meios não o temos feito e temos que nos aproximar mais, pois o nome "Schneider" não é tão reconhecido quanto deveria ser, dada a sua extensão de gamas e implantação dos produtos. Dito isto, a comunicação nos meios especializados deve continuar a ser um meio privilegiado, pois uma comunicação feita nestes meios pode potenciar mais facilmente um negócio do que uma efectuada nos meios generalizados, já que é mais direccionada. A nossa comunicação é normalmente dirigida aos mercados de engenharia e ao consumidor final, logo, ao lançarmos um novo produto, entramos sempre em contacto com as revistas da especialidade.
Ainda relativamente à imagem da Schneider, teme que a imagem da empresa seja ofuscada pelas principais marcas que compõem o Grupo?
Isso é muito importante e deve ser mencionado pois representa um grande problema que gerirmos diariamente. Administrar 105 marcas é quase impossível e, mais, é muito caro (embalagens e displays característicos,.etc). O modelo multimarca é extremamente complicado, tanto mais que a Schneider pretende no futuro próximo colocar tudo debaixo do grande guarda-chuva com o nome "Schneider Electric".
Quanto à proximidade actual da Schneider aos seus clientes, como a classificaria?
Entendo que a relação com o cliente final em Portugal ainda está um pouco afastada. Estamos a promover uma aproximação, tentando entender melhor as necessidades do cliente final e assim fornecer-lhe soluções cada vez mais adequadas. Como disse, estamos um pouco longe, mas almejamos melhorar este aspecto. Temos um alto índice de penetração no mercado, mas não há nada como negociar cara a cara. Nesse sentido pretendemos estar presentes em eventos especializados. Aliás, ainda há pouco fizemos em Viseu um evento, focado na indústria local e nas soluções de processo disponíveis para quem é responsável pelas tomadas de decisão, que atraiu cerca de 150 profissionais da região.
Falou ainda há pouco em eventos especializados. Como vê a situação actual das grandes feiras industriais?
Acreditamos mais em comunicações focadas. À medida que os recursos vão escasseando, temos que dirigir a comunicação da forma mais eficaz possível. Por exemplo, os 100 mil euros necessários para participar numa feira são, na nossa óptica, melhor investidos em eventos próprios e focados, aproximando-nos mais do cliente e dos vários canais locais.
Portugal vive, neste momento, uma crise na área da construção. Qual é a visão que tem como outsider desta situação e qual o impacto que esta pode ter nos negócios da Schneider?
Portugal para mim não está em crise, embora os jornais e os principais veículos de comunicação económica queiram quase instituir por decreto que há crise em Portugal. Não há crise em Portugal. A qualquer hora basta entrar nas grandes superfícies para compreender que não há crise. Alguns canais públicos gostam muito de passar essa ideia, mas ela não corresponde à realidade. Nalgumas áreas pode existir uma grande desaceleração, mas isto não é mesmo que dizer que há uma crise. O mercado residencial está mais fraco, mas o mercado de fontes eólicas, por exemplo, está a explodir. A Schneider Electric, dada a amplitude do seu catálogo de soluções, apenas pode ver oportunidades. Existem negócios e projectos para serem aproveitados, e o governo apenas necessita de injectar dinheiro na economia e parar com esta crise enlatada que que tanto direito a tempo de antena tem tido. Existem problemas sérios? Claro que existem, mas não nos encontramos em crise. Os empresários em Portugal têm variadas oportunidades de negócio à sua frente, basta abrir a janela e olhar. È necessário usar a inteligência para procurar soluções ao invés de procurar desculpas para se lamentar.
Portugal sempre foi apelidado de país excessivamente dependente da burocracia. Concorda com esta descrição?
Não acredito que Portugal seja um país particularmente burocrata, acredito no entanto que o sector público ainda actue com alguma burocracia. O mercado privado não me parece que sofra desse mal. Portugal tem soluções fantásticas a vários níveis. As soluções de certificação são excepcionais, por exemplo. Um exemplo negativo da burocracia portuguesa é a imigração. Os imigrantes sofrem verdadeiros horrores com este sistema, tal é a lentidão e a complicação dos processos.
Para finalizar, que futuro está reservado para a Schneider em Portugal?
Vamos crescer nos próximos 4, 5 anos. Vamos explorar mais o negócio da Schneider no país, e vamos investir nas pessoas. O Grupo acredita muito em Portugal e no seu potencial. Planeamos continuar firmes na nossa rota de crescimento e continuar a formar pessoas. A nossa missão é a de perpetuar a nossa existência em Portugal, sendo uma empresa cada vez maior e melhor.
Hoje, a Schneider Electric é o líder global na gestão de energia. Torna a energia mais segura, fiável, eficiente e produtiva. Temos neste momento uma plataforma completa de soluções integradas, e, volto a frisar, não acreditamos na crise que está a ser decretada. Portugal é um país muito bom para fazer negócios. A Europa vive um momento delicado devido à deslocação da polaridade do poder económico, pois os EUA fortes que eu conheci, e com os quais eu cresci, não serão os mesmos com que os meus filhos irão crescer. Julgo, no entanto, é que Portugal tem que ser menos europeu e mais português, ou seja mais arrojado.
| Fonte: Notícia cedida por O Electricista |