O primeiro LED (abreviatura de díodo emissor de luz), foi produzido em 1962 pelo engenheiro Nick Holonyak Jr., da General Electric. Então, os LED’s apenas emitiam luz vermelha mas pouco demorou para que surgissem os verdes e os amarelos. Porém, a “revolução dentro da revolução” aconteceria apenas em 1993, ano em que o investigador nipónico Shuji Nakamura logrou produzir o primeiro LED azul com luz branca comercialmente viável.A partir daí a evolução desta tecnologia não parou, avançando, quase se poderia dizer, à velocidade da luz.
Uma tecnologia de futuro
Essa evolução acelerada tem provocado algumas questões menos pacíficas e muitas dúvidas sobre a funcionalidade do LED. Posto isso, o CPI (Centro Português de Iluminação) e o Clube dos 13 (Associação para o Desenvolvimento da Luminotécnia e Gestão dos Tempos Livres), decidiram organizar uma conferência sob o lema: “LED’s - Fronteiras de Utilização”.
Esse encontro, realizado no passado dia 3 de Julho no Centro de Congressos do Taguspark (Oeiras), serviu como campo de debate sobre o actual e futuro panorama da tecnologia LED. Como nos explicou, Silvino Maia do Clube dos 13, esta conferência pretendeu promover a análise das vantagens e potencialidades da tecnologia LED, assim como esclarecer quais os seus inconvenientes, onde podem e devem ser utilizados, que cuidados devem ser observados na sua utilização ou como melhorar a emissão luminosa.
Foram também chamadas a debate as questões da normalização, da qualidade e da parametrização, entre outros aspectos técnicos.
Na mesa da conferência estiveram presentes Alírio Góis e Silvino Maia, do Clube do 13, e Vítor Vajão e Lázaro Vasquez, do CPI. Enquanto moderadores da mesa redonda, os representantes do CPI desafiaram a plateia — composta por vários fabricantes e empresas de consultoria e design de iluminação, bem como profissionais ligados à luminotécnia e luminária —, a partilharem as suas experiências e responderem às questões postas em discussão.
Porquê apostar no LED
Antes da mesa redonda o representante da Arquiled, a designer de iluminação Patrícia Gouveia, António Sousa, da Osram e Rui Reis, da Philips, falaram sobre os avanços, novos produtos e aplicações desta tecnologia.
Patrícia Gouveia dissertou e demonstrou as potencialidades da utilização de LED’s na iluminação funcional e decorativa de interiores, monumentos, jardins, fachadas de edifícios, etc. Salientou também algumas das soluções que têm sido adoptadas para produzir certos efeitos e aproveitar o vasto espectro de cores que estes dispositivos disponibilizam.
Os representantes da Arquiled, da Osram e da Philips dissertaram sobre as vantagens práticas e físicas de alguns projectos e tecnologias. Os dois últimos oradores revelaram ainda alguns dos seus mais recentes produtos já disponíveis no mercado.
Mas porquê apostar nos LED?
Entre os muitos benefícios desta nova forma de iluminar, os fabricantes e empresas de projecto de iluminação com LED’s salientaram: a sua eficiência, a durabilidade (± 50.000 horas ou mais com certos tipos de díodos), o baixo consumo, a contribuição para minimizar as emissões de CO2, os menores custos de manutenção, as intervenções correctivas mais espaçadas e redução das despesas com consumíveis.
Acrescentem-se igualmente a emissão de luz sem raios UV (ultra-violetas) ou IV (infravermelhos),o ser uma fonte de iluminação livre de mercúrio, a intensidade da luz, as suas reduzidas dimensões, a diminuição dos danos nas estruturas circundantes aos LED (tectos falsos, por exemplo). Note-se que este produz muito menos calor, e simultaneamente, é mais eficaz do que as lâmpadas de incandescência ou de halogéneo...
Um mercado em evolução
Pese embora existam pessoas que demonstram algum cepticismo quanto a algumas questões ligadas aos LED, existe um consenso generalizado de que esta é uma tecnologia de futuro e que o mercado vai crescer. O mesmo se passará com a qualidade e eficácia do produto, bem como com um processo de “selecção natural” entre as empresas do sector. Prevê-se, entretanto, que a breve trecho se assistirá uma massificação comercial do LED, deixando este produto de estar confinado a nichos de mercado.
A rápida evolução da tecnologia e da produção a isso conduz, como o comprova a sua crescente utilização, a título de exemplo, em luminária funcional, na arquitectura ou na indústria automóvel.
Questões pertinentes
Face a este optimismo, o CPI e o Clube dos 13 declaram-se apreensivos relativamente a questões de vital importância, contrapondo as limitações verificadas em termos de funcionalidade, que vetam a sua generalização, a baixa eficiência luminosa e fraca qualidade da luz emitida.
Isso sem esquecer o ainda elevado custo desta tecnologia — comparativamente com as lâmpadas de incandescência ou de halogéneo, por exemplo —, a “incerta” longevidade dos LED, a influência das luminárias no tempo de vida dos LED, a sua não certificação de eficiência energética, mesmo no EUA, etc. Esta última dúvida está relacionada com o facto de a longevidade anunciada ser superior à actual experiência no terreno. Tal impede, portanto, saber se o LED durou os seis anos previstos ou não.
A mesa lançou também para o debate outras dúvidas sobre a temática da normalização, dos parâmetros de montagem e de qualidade e quem os assegura? Por que razão as normas não surgem nas informações dos fabricantes? Quem controla a intensidade e o fluxo luminoso e que factores concorrem para o envelhecimento do LED? De que forma as características de luz e cor dos LED se alteram com o tempo? Tal limbo de incertezas não tem, todavia, impedido que por especulação comercial ou por desconhecimento se verifiquem aplicações desadequadas.
Por conseguinte, na eventualidade dos problemas detectados e dos maus resultados atingirem determinadas proporções, pode vir a criar-se o descrédito e a desenvolver resistências face a uma tecnologia altamente promissora, comprometendo a boa utilização dos LED’s no presente e no futuro.
A mão à palmatória
Os fabricantes não negam que existem algumas questões para as quais não possuem uma resposta, ou que existem pontos em que a tecnologia tem de evoluir.
Nomeadamente ao nível do custo da tecnologia e dos equipamentos, da exigência de uma programação dos chips em função das características da luminária, das perdas energéticas dos LED’s e da sua não resistência a altas temperaturas ou das vantagens de fazer luminárias de raiz em muitos casos.
Reconhecem também que a eficácia dos LED’s está dependente das condições em que a tecnologia é aplicada e que cada caso deve ser avaliado em diversas vertentes. Contudo, a informação e os programas de cálculo automático não estão tão acessíveis como seria desejável, já que esta tecnologia conhece constantes evoluções, muitas vezes diárias. Uma das frases mais usadas foi: “O que é verdade de manhã, à tarde já não é”.
Ficou, no entanto, a promessa de facilitar futuramente uma maior informação aos profissionais de luminotécnia, de forma a que todas as condições de uma instalação com iluminação de LED sejam avaliadas e respeitadas.
O bom nome e o sucesso da tecnologia LED disso depende.
AUTOR:Túlio Gonçalves
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