Um sistema de controlo e regulação de luz (SCR) não é um luxo, se bem pensado e bem utilizado é um elemento fundamental num sistema de iluminação. Na sociedade actual tem a mesma utilidade e importância como há mais de cem anos a primeira lâmpada de Edison. Se não vejamos: a luz artificial é utilizada pela nossa necessidade de ver na ausência da luz natural, e ela, para cumprir bem a sua missão deverá “imitar” tão fiel quanto possível a nossa relação com a luz do Sol.
A luz do sol não aparece e desaparece, ela varia constantemente. Varia em intensidade, em aparência, em tonalidade, tem ciclos básicos, o dia e as estações ao longo do ano, mas tem também variações não periódicas, como um dia enublado. Esta luz variável tem um impacto directo no ser humano.
A luz é um factor relevante no conforto humano, provoca emoções, e tem um impacto directo na produtividade laboral. Em casos extremos é um assunto de saúde pública.
Com um simples interruptor não podemos controlar a luz para além do liga/desliga. Por muito bom que seja um sistema de iluminação, não podemos nem de perto satisfazer a nossa relação saudável com a luz. Com um SCR sim, podemos, podemos variar a intensidade, a tonalidade, a incidência e mesmo interagir com a presença da luz solar.
Para além do ser humano, existe o nosso planeta que tão mal tem sido tratado. Um SCR é fundamental na eficácia energética de um sistema de iluminação, podendo significar poupanças de energia da ordem dos 40%.
Um SCR regula a iluminação para os níveis adequados de luz que precisamos, adapta a luz artificial onde exista luz natural, corta a energia onde detecta a ausência de ocupantes.
Onde aplicar
De uma forma geral onde haja uma lâmpada, poderá haver um Sistema de Controlo e Regulação.
Do ponto de vista humano, onde exista um interruptor deverá existir um SCR. Um SCR pode ir de um sistema complexo e sofisticado que gere na íntegra um edifico de escritórios, um complexo industrial, um estádio de futebol até, um simples aparelho, um “dimmer”, que substitui directamente o interruptor na parede da nossa sala.
Na nossa sala somos exigentes com o nosso sistema de som, regulamos a intensidade, os graves, os agudos, e mesmo mais, em sistemas mais sofisticados. Na nossa casa regulamos a temperatura do ar. Mas em quase todas as nossas casas não regulamos a luz, ligamos ou desligamos, como Edison fazia há mais de cem anos.
No nosso local de trabalho a importância da luz na produtividade e na saúde da nossa visão vai além do que muitos de nós conhecemos. Um SCR adapta a iluminação a situações que maximizam os benefícios.
Do ponto de vista energético, um SCR maximiza a poupança do consumo de luz. Um menor consumo de luz implica menor produção de calor, o que significa um sistema de avac menos potente, reforçando assim a importância destes sistemas nos dias que correm.
Porquê aplicar
Um SCR é tão mais eficaz do ponto de vista energético quanto mais intensiva seja a utilização do sistema de iluminação. Num extremo, uma dependência de nossa casa que utilizamos uma vez por dia, por um ou dois minutos, uma arrecadação, em que qualquer regulação não fará sentido, até uma instalação como um aeroporto que funciona 24 horas por dia 365 dias por ano, onde a não utilização de um SCR será no mínimo pouco inteligente.
No que se refere a conforto e adequação ao uso, um lobby de um hotel de cidade é um exemplo perfeito. Dependendo da hora do dia, este espaço pode tomar aspectos distintos, criar ambientes completamente diferentes. De manhã cedo, homens de negócios apressam-se a sair do hotel, a fazer o check out, ou encontrar os seus parceiros de negócios que os vêem buscar. Energia precisa-se. Ao longo do dia a actividade baixa, há encontros de negócios que são dissuadidos num ambiente mais informal, ou encontros pessoais, a luz deverá ser reduzida, mas ainda com uma presença relativamente forte, com alguns locais bem iluminados. Ao início da noite a atmosfera deve alterar-se por completo, um ambiente intimista e relaxante.
Num ambiente de trabalho a luz tem um papel fundamental na produtividade, sem um SCR esse impacto fica comprometido.
A luz faz com que o nosso corpo funcione de forma diferente na sua presença ou ausência. Sem luz o nosso corpo produz melatonina, que é um código para redução de actividade e descanso. É esta relação que temos com a luz natural de há milhares de anos, ao por do sol o nosso ritmo abranda e quando o sol vai alto eis nos de novo prontos para actividade diária. Com a luz o nosso corpo produz o cortisol responsável pela nossa maior actividade corporal e mental.
Num dia de inverno e nublado é frequente dizer-se que nos sentimos sem energia ou tristes, e nada como um bonito dia de sol, pleno de intensidade e aquela luz fria para nos dar vontade de encher o peito e enfrentar o mundo.
Uma boa iluminação gerida por um SCR, pode reproduzir todas estas situações, luz mais intensa de manhã, variando ao longo do dia, conforme a imagem junta.
O aproveitamento da luz solar, só é maximizado se em primeiro lugar a arquitectura tiver sido pensada nesse sentido, e que algo faça a interacção da luz natural e artificial. Num escritório ou numa escola podemos sempre esperar que haja alguém, que vá apagando e acendendo a luz artificial quando ela é ou não necessária, pouco provável que isso aconteça, impossível de forma tão eficaz, como um sistema que leia o nível de luz presente, a sua distribuição e controlo de forma totalmente autónoma e automática a luz artificial.



Todos nós de alguma forma já utilizamos sensores de presença, que na nossa ausência desligam a luz, nos escadas ou pontos de aceso aos elevadores de nossa casa e nas nossas garagens. Um SCR pode fazer a mesma função de forma mais adequada. Um hotel onde o corredor esteja controlado por um sistema simples, ou seja, sem a presença do cliente tudo está escuro, provoca uma sensação de insegurança, com um SCR o nível mínimo de luz pode ser determinado e o acendimento não ser instantâneo e ser progressivo de forma a dar tempo à nossa visão de se adaptar.
Como funcionam
De uma forma simplista o princípio teórico da regulação da luz num SCR, é suportado pela tecnologia do triac que permite o corte duplo de energia de forma controlada em cada ciclo de oscilação, ou seja, a energia consumida pelo sistema, é cortada 120 vezes por segundo, frequência essa não percebida pelo nosso olho. A percentagem de redução da luz emitida e do consumo de energia está relacionado com o tempo de corte.
Um SCR, basicamente, é composto pelos controladores periféricos, a(s) unidade(s) de controle e/ou potência e a respectiva cablagem.
Os controladores periféricos que se dividem em activos ou passivos, de acção automática ou manual. Na primeira categoria inserem-se os sensores de infravermelhos ou ultrasónicos, detectores de presença e as células fotossensíveis que fazem a leitura dos níveis de luz.
Na segunda categoria inserem-se as botoneiras e painéis de controlo, onde uma forma mais ou menos aberta o utilizador controla e programa todo o sistema.
O custo de SCR tem a ver com a sua complexidade. A começar por um simples dimmer por algumas dezenas de euros até sistema de grande dimensão e complexidade que podem ascender a centenas de milhares de euros. Dependendo da filosofia de utilização de um sistema de controlo e regulação de luz, o investimento inicial pode ter um retorno entre um a dois anos, devido à poupança energética.
O CPI recomenda a utilização destes sistemas, pois ao melhorar a eficácia energética, ao aumentar o conforto humano, estamos a contribuir para uma melhor iluminação, e esta é a missão e razão de existir da nossa associação.
Autor: Pedro Telhado, Vice Presidente CPI