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Problema energético mundial - ESTUDO DE SOLUÇÕES PARA O CONSUMO DE ENERGIA

O problema energético mundial é dinâmico, o que cria a necessidade de localizar no tempo o estudo que se apresenta neste artigo. No final da primeira década do século XXI, atravessamos um problema energético que é grave, pois a procura crescente de energia por todas as economias e em especial pelas emergentes, provoca uma subida global dos preços internacionais da energia primária disponível. Por outro lado há cada vez mais evidências científicas, de que o sistema energético actual, por libertar grandes quantidades de gases de efeito de estufa (GEE) para a atmosfera, está a provocar mudanças climáticas no nosso planeta, com implicações que actualmente já são visíveis, e que no futuro serão imprevisíveis.

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Na primeira parte deste artigo são analisados aspectos como: a distribuição do consumo da energia primária no ano de 2007 pelas várias energias primárias e pelas várias regiões do mundo; o aumento do consumo, face ao ano anterior, por tipo e por região; as reservas das principais energias primárias e a sua distribuição pelas várias regiões do mundo. Na segunda parte é realizado o estudo das soluções para mitigar as mudanças climáticas e o problema energético actual. O aumento da eficiência energética, a utilização de combustíveis e a produção de energia eléctrica com baixa ou nula emissão de GEE são a chave para mitigar os dois problemas.

Palavras-Chave: Consumo de energia primária, Crise energética, Alterações climáticas, Energias Renováveis, Energia Eólica, Energia Solar.

1› Estudo do problema energético no final da 1ª década do século xxii

1.1› INTRODUÇÃO

Desde sempre o homem necessitou de energia para as suas diversas actividades. Mas se inicialmente as energias que utilizava eram as que disponha na natureza: lenha; força motriz das águas dos rios e do vento, uma nova etapa iniciou com a utilização das energias fosseis como o carvão e o petróleo. A existência na natureza de grandes quantidades de energia de origem fóssil, inicialmente a preços reduzidos, criou segundo diversos autores, uma aceleração do desenvolvimento da actual sociedade humana, atingindo-se actualmente níveis nunca antes alcançados.

No final da primeira década do século XXI, atravessamos um problema energético complexo. Por um lado a procura crescente de energia por todas as economias e em espe¬cial pelas emergentes, provoca uma subida global dos preços internacionais das energias disponíveis. Por outro lado há cada vez mais evidências científicas, de que o modelo energético actual, incluindo as actuais tecnologias, por libertarem gases com efeito de estufa (GEE), para a atmosfera, está a provocar mudanças climáticas no nosso planeta, com implicações que actualmente já são visíveis, e que no futuro serão imprevisíveis, devido a estarem a provocar o aumento da temperatura da terra. Estas mudanças climáticas estão a provocar o aumento de fenómenos climáticos adversos como tempestades, secas e inundações. O aumento da temperatura na terra também está a provocar uma perda acelerada das suas massas de gelo conduzindo à subida do nível do mar, pondo em perigo as zonas costeiras e ilhas.

1.2› RECURSOS ENERGÉTICOS

1.2.1› Consumo mundial de energia primária

No ano de 2007, o consumo de energia primária foi de 11.099 milhões de toneladas de petróleo equivalente (TEP). Na Fig. 1.1 é apresentado o consumo mundial no ano de 2007, por tipo de energia primária e o correspondente valor percentual em relação ao total (BP, 2008).

Figura 1.1. Consumo mundial no ano de 2007 das principais energias primárias em milhões de TEP.

Como se pode ver no gráfico da Fig. 1.1, a principal energia primária consumida no ano de 2007 foi o petróleo com 3.953 milhõesde TEP, correspondendo a 36 % do consumo total. Em segundo lugar ficou o carvão com 3.178 milhões de TEP (29 %), em terceiro lugar, o gás natural com 2.638 milhões de TEP (24 %), em quarto a energia hidroeléctrica com 709 milhões de TEP (6 %) e por último a energia nuclear com 622 milhões de TEP (5 %).

A primeira conclusão que se pode retirar dos valores apresentados na Fig. 1.1 é que das cinco principais fontes de energia, as primeiras três correspondem a energias fósseis e por isso finitas, totalizando 89 % do consumo total, sendo as principais causadoras de GEE. A quarta, a energia hidroeléctrica, tem um carácter renovável e é neutra ao nível dos GEE. A última, a energia nuclear, não é fóssil, é finita e neutra do ponto de vista dos GEE.

Outro aspecto que também convém analisar é o crescimento das cinco principais fontes energéticas.

Na Tab. 1.I é apresentado o crescimento no ano 2007 face ao consumo verificado no ano de 2006 de energias primárias (BP, 2008). Em termos globais, o crescimento foi de 256 milhões de TEP, correspondendo a um crescimento e 2,4 %, face ao consumo veri¬ficado no ano anterior. O maior crescimento verificou-se no carvão, com um aumento de 136 milhões de TEP correspondendo a 53 % do aumento global de energia primária e 4,5 % face ao consumo do ano anterior. O se¬gundo maior crescimento foi do gás natural com 79 milhões de TEP correspondendo a 31 % do aumento global e 3,1 % face ao ano anterior. O terceiro maior crescimento foi do petróleo com um aumento de 42 milhões de TEP correspondendo a 16,3 e 1,1 %, respec¬tivamente ao aumento global e ao consumo do ano anterior desta energia primária. O último aumento de consumo verificou-se na energia hidroeléctrica com mais 12 milhões de TEP correspondendo a 4,7 % e 1,7 %. De assinalar também a diminuição da produção da energia nuclear em 13 milhões de TEP, correspondendo a um decréscimo de 2,0 %, face ao ano anterior.

De assinalar também que o petróleo que foi a energia primária com maior consumo, 36 % do consumo total de energia primária, ver Fig. 1.1, só cresceu 16,3 %, ver Tab. 1.I, o que indicia uma retracção do aumento da procura devido ao seu preço nos mercados internacionais. Já o aumento do consumo do gás natural, cerca do dobro do aumento do petróleo, poderá ser devido à necessidade de diversificar os consumos e ao menor impacto ambiental que provoca a sua queima por menor contribuição em GEE. O aumento do carvão em 53 % justifica-se por ser a energia primária que existe em todas as regiões e também por ser a mais abundante. Como a queima de carvão provoca uma grande libertação de GEE é muito preocupante em termos ambientais, o aumento do consumo deste tipo de energia primária.


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Fonte: O Electricista

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