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Análise económica ao sector da construção

Algarve foi a região onde a Construção mais se ressentiu em 2009.

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Algarve foi a região onde a Construção mais se ressentiu em 2009

Os vários indicadores relativos à evolução do sector da Construção durante o ano de 2009, reflectem uma conjuntura global bastante desfavorável, mas com diferentes intensidades e características ao nível das diversas regiões do País. No que concerne ao mercado residencial, registou-se, em termos globais, uma quebra muito acentuada, que terá conduzido a uma redução próxima dos 30% na produção deste segmento.

No entanto, os indicadores disponíveis a nível regional apontam para que, de entre as regiões de influência da AECOPS, o Algarve tenha sido a área onde essa crise mais se fez sentir. De facto, foi nesta região que se registou a maior redução no número de novos fogos licenciados (-59,6%, em termos homólogos até Novembro, face a -44,5%, em termos médios nacionais) e onde os preços da habitação, a avaliar pelos valores da avaliação bancária, mais se reduziram (-4,3% até Setembro), comparativamente à média nacional, que manteve o mesmo valor apurado no mesmo período do ano anterior.

Em contrapartida, a zona do Alentejo, que detém a menor parcela do todo nacional (7,8%), foi a que registou a menor quebra no número de fogos licenciados (-36,8%) embora não se tenha mostrado imune à redução dos valores de avaliação bancária do m2 de habitação (-0,7%, até Setembro, em termos homólogos).

Também no que respeita ao investimento público em construção e tendo por base a informação conhecida sobre concursos públicos, a região do Algarve surge de novo como tendo sido das mais desfavorecidas ao longo de 2009. Na verdade, das regiões analisadas, a do Algarve foi a que respondeu pela menor parcela, quer do valor de concursos abertos (só 3,3% do total), quer do dos adjudicados (apenas 3,1% do montante global adjudicado ao longo do ano).

Foi igualmente a única região que sofreu decréscimos, e acentuados, quer em número de concursos, quer nos seus montantes, tanto no lançamento de novas obras, quer em adjudicações, face a um ano atrás. É de notar que, em termos de adjudicações de concursos públicos, assistiu-se, em termos nacionais, a aumentos de 23,1% em número e de 62,5% em valor.

Ainda em termos de adjudicações, a região de Lisboa terá sido das mais beneficiadas em 2009, com crescimentos homólogos de 45% e 59% em número e valor, respectivamente. Em contrapartida, o lançamento de novas obras públicas nesta região sofreu uma sensível retracção, reflectida em quebras de 33% em número e de 56% em valor, ao longo de 2009.

Com as evoluções descritas anteriormente, não é de estranhar que tenha sido a região algarvia a que registou o maior aumento no desemprego oriundo do sector da Construção (+185,7% em Novembro, em termos homólogos), seguida da região de Lisboa, onde o número de desempregados da Construção cresceu 67,1%. Em termos médios nacionais, o acréscimo homólogo foi, no mesmo mês, de 64,7%.

Face à difícil situação vivida, as opiniões dos empresários do Sector, recolhidas através do Inquérito Mensal à actividade promovido pela AECOPS/FEPICOP em colaboração com a UE, foram bastante desfavoráveis na generalidade das questões colocadas, ao longo do ano.

Ainda assim, foi visível um particular pessimismo dos empresários do Centro do país relativamente à actividade das empresas que se dedicam à construção de edifícios residenciais (saldo médio anual de -65%, face a -45% apurados a nível nacional) e uma apreciação fortemente negativa dos empresários do Algarve no que respeita à actividade nas obras públicas (saldo de -49%, face a -16% obtidos em termos médios do país).

No que concerne à situação financeira, a qual se revelou muito difícil para a generalidade das empresas, foi na região Centro e no Algarve que os empresários manifestaram maior preocupação, reflectida em resultados médios de -53% e de -49%, no Centro e no Algarve respectivamente, na questão que lhe está associada. Por último, as perspectivas de evolução da produção, do emprego e dos preços a praticar mostram-se bastante sombrias para a generalidade dos responsáveis da Construção, mas, ainda assim, voltam a ser os responsáveis do Centro e os do Algarve os mais pessimistas. Relativamente à questão sobre a evolução futura da produção, o saldo médio nacional obtido foi de -11%, mas na região Centro foi de -27% e no Algarve de -20%. Já no que concerne ao nível futuro do emprego do Sector, a evolução esperada a nível nacional é negativa (saldo de respostas de -25%), mas particularmente preocupante no Centro (-39%) e, de novo, no Algarve (-33%).

Economia portuguesa com o pior desempenho dos últimos anos

Durante o ano de 2009, o comportamento da economia portuguesa foi bastante negativo. A avaliar pelos dados disponibilizados pelo INE e apurados através das Contas Nacionais Trimestrais, o PIB registou uma quebra homóloga, em volume, de 3,4% durante os três primeiros trimestres do ano, apontando as previsões do Banco de Portugal, recentemente divulgadas, para uma quebra do PIB de 2,7% para a totalidade do ano. Ainda segundo o Banco de Portugal, o Investimento e as exportações foram as componentes do PIB que apresentaram os desempenhos mais desfavoráveis em 2009, com quebras, em volume, de 11,7% e 12,5%, respectivamente. Só o consumo público registou uma variação positiva, apresentando um crescimento de 2,0%, ao longo do ano.

Com base nos valores do INE, o investimento em Construção, que representou 49,8% da FBCF total verificada até Setembro de 2009, decaiu 12% relativamente ao período homólogo de 2008, em resultado das quebras trimestrais mais acentuadas de entre as já registadas desde 1995 por esta componente do investimento.

De forma semelhante, o VAB da construção registou um decréscimo de 10,5% até Setembro, assumindo a maior quebra, em termos de VAB, de entre os diversos sectores de actividade (seguiu-se a Indústria, com uma redução de 8,9%, em termos homólogos).

Outros indicadores confirmam a evolução tão negativa da Construção, como sejam o consumo de cimento, que deverá ter registado uma redução de cerca de 15% em 2009, e o número de trabalhadores do Sector, que, até Setembro e a avaliar pelos resultados do Inquérito ao Emprego do INE, se reduziu em 8,8% reflectindo uma diminuição de 49,4 mil trabalhadores, face a igual período de 2008.

Não obstante, a diminuição do número de trabalhadores não foi exclusiva do sector da Construção. Assim, em termos globais, perderam-se 140,7 mil postos de trabalho, registando-se uma subida da taxa de desemprego de 7,5%, até Setembro de 2008, para 9,3%, no mesmo período de 2009. Esta situação apresenta uma clara tendência de agravamento, prevendo-se que, pelo menos em 2010, a taxa de desemprego suba e ultrapasse os 10%.

A inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor relativo ao Continente, Total sem Habitação, registou uma quebra de 1%, em 2009. Esta evolução, associada à significativa descida das taxas de juro, particularmente as aplicadas ao crédito à habitação, permitiram aliviar o esforço financeiro das famílias, ajudando a ultrapassar, de forma menos penosa, um ano que se revelou bastante difícil, quer para as famílias, quer para as empresas.


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Fonte: AECOPS

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