As renováveis batem recordes e o autoconsumo cresce. O controlo de injeção dinâmico é chave para mais eficiência, segurança e estabilidade da rede elétrica.
As fontes de energia renováveis continuam a bater recordes, em Espanha e à escala global, impulsionadas por uma competitividade em custos que se soma à consciencialização da necessidade de reduzir as emissões de carbono.
A demonstração deste auge é constatada com dados como este: no primeiro semestre de 2025 e pela primeira vez na história, foi gerada mais eletricidade no mundo a partir das fontes renováveis que do carvão. Um marco para a transição energética, embora seja certo que ainda há muito caminho a percorrer.
Nas fontes renováveis e cingindo-nos à sua evolução em Espanha, no início de 2025 foi atingido um ponto de viragem: a potência instalada da energia solar já supera a eólica, convertendo-se assim na principal tecnologia do mix elétrico. Entre os fatores que explicam este facto encontra-se a possibilidade de que os próprios consumidores, quer sejam empresas, habitações ou entidades de outro tipo, produzam energia solar. É o chamado autoconsumo.
O autoconsumo é uma opção muito interessante a priori, dado que os custos de instalação são cada vez mais reduzidos, o que diminui o período de amortização. Quando a energia consumida é maior que a produzida, é absorvida da rede elétrica; quando ocorre o contrário, o excesso produzido é injetado na rede elétrica a troco de uma compensação económica. Uma opção complementar consiste na integração de baterias para armazenar a eletricidade.
Eficiência coordenada
No papel tudo são vantagens, mas o autoconsumo também implica alguns desafios que é preciso abordar e que, de facto, estão relacionados: toda instalação deve ser eficiente e o balanço com a rede tem de ser adequado. Ambos os fatores são solucionados por meio do controlo de injeção dinâmico, presente nos inversores e, especialmente, nos gestores energéticos integrados.
A precariedade que caracteriza algumas instalações de rede representa um problema que se manifesta, por exemplo, sob a forma de sobretensões de linha do inversor. O controlo de injeção dinâmico, que é implementado num dispositivo adicionado à instalação, encarrega-se de regular continuamente a energia fornecida à rede.
As vantagens deste controlo são imediatas e diversas. Por um lado, aumenta a eficiência, pois consegue produzir até mais 80 % da energia, com a conseguinte melhoria da rendibilidade. Por outro lado, o controlo de injeção dinâmico garante a segurança e a estabilidade ao funcionar num intervalo seguro da tensão que, além disso, prolonga a vida útil dos dispositivos eletrónicos.
Portanto, o controlo de injeção dinâmico envolve um avanço para as instalações solares, em geral, e para as de autoconsumo, em particular. A interligação de uma enorme diversidade de fontes de produção no mix elétrico (solar, eólica, hidráulica, nuclear, ciclo combinado e outras) aumentou enormemente a complexidade da rede elétrica. No caso concreto da energia solar, à sua intermitência é adicionada uma rápida expansão da oferta, tanto por parte dos parques solares, como do segmento de autoconsumo.
A energia solar converteu-se na via de entrada para um maior grau de descentralização da produção elétrica, uma excelente notícia que, no entanto, não pode pôr em risco a estabilidade da rede. É preciso impedir a injeção descontrolada de energia solar e o controlo dinâmico é uma opção ótima para os gestores energéticos com vista a uma progressiva otimização e automatização.