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Schneider Electric

Estudo da Schneider Electric: os fabricantes de bens de consumo embalados preparam-se para o aumento das perdas de produção e veem a IA industrial como um fator crítico de competitividade até 2030

Publicado: 9 de setembro de 2026 Categoria: Notícias do sector

Inquérito global da Schneider Electric, realizado junto de 1.453 executivos, revela fosso crescente entre a ambição de retorno do investimento (ROI) da IA e a realidade operacional no setor dos bens de consumo embalados.

Estudo da Schneider Electric: os fabricantes de bens de consumo embalados preparam-se para o aumento das perdas de produção e veem a IA industrial como um fator crítico de competitividade até 2030
  • Qualidade dos dados, automação legada e gestão da mudança – e não a disponibilidade da IA – surgem como os principais obstáculos à adoção bem-sucedida da IA.

A Schneider Electric, líder global em tecnologia energética, divulgou os resultados do seu inquérito global Industrial AI in CPG Survey 2026, revelando que os fabricantes de bens de consumo embalados (CPG, na sua sigla em inglês) antecipam aumentos significativos nas ineficiências de produção e nas pressões de custos até 2030. Muitos estão a recorrer à inteligência industrial – a combinação de IA, dados e automação – para reforçar a competitividade numa década marcada pela volatilidade crescente.

Os custos estruturais de produção industrial devem aumentar até 2030

O estudo revela que os fabricantes de CPG antecipam uma crise de margens em aceleração, com ineficiências como atrasos na produção, tempos de inatividade e falhas de equipamentos a representarem já cerca de 20.3% do custo final do produto fabricado. Os inquiridos indicam que 15.2% da receita média de produção é atualmente perdida devido a atrasos, paragens, retrabalho, desvios de qualidade ou utilização subótima de ativos.

Estas perdas evitáveis devem agravar-se significativamente, atingindo 21.37% já no próximo ano e aproximando-se de 29.14% até 2030.

Em Portugal não existem dados públicos que quantifiquem as ineficiências na produção no setor de bens de consumo embalados. Contudo, este setor encontra-se numa dinâmica global de crescimento em valor, e a digitalização surge como fator crítico de competitividade. No nosso país, o setor integra a indústria alimentar e de bebidas, que representa cerca de 14% do valor acrescentado da indústria transformadora.

Perante este cenário, muitos fabricantes de CPG estão a apostar na IA industrial para reduzir o aumento previsto das perdas de produção evitáveis.

Expectativas em relação à IA disparam, mas a preparação fica para trás

Atualmente, apenas um em cada oito (13%) fabricantes de CPG afirma ter a IA integrada de ponta a ponta nas suas operações e tomadas de decisão. Até 2030, mais de um terço (37%) espera que a IA seja fundamental para as suas operações – o que representará a triplicação da adoção em apenas quatro anos.

Os inquiridos também antecipam um aumento significativo do retorno do investimento (ROI) impulsionado pela IA:

  • Um terço (32.7%) prevê retornos entre 50% e 74% dos seus projetos de IA até 2030;

  • Quase um décimo (7.9%) prevê retornos superiores a 100%, o que significa que os investimentos em IA se pagariam a si mesmos em menos de um ano.

Atualmente, este nível de desempenho é observado apenas em fábricas Farol (Lighthouse) do Fórum Económico Mundial   ou em fábricas autónomas.

Em contraste, 70% dos inquiridos afirma que o ROI atual da IA é inferior a 20%, sendo que quase um terço (28.4%) regista um ROI de 5% ou menos, refletindo um setor que ainda extrai valor limitado de implementações em fase inicial.

“Os fabricantes estão a projetar uma triplicação da adoção de IA de ponta a ponta até 2030, acompanhada por uma mudança significativa nos retornos esperados, alinhando-se com os níveis atualmente alcançados apenas pelas fábricas Lighthouse mais avançadas e fábricas autónomas. Este fosso de expectativas é o sinal de urgência mais forte que vimos nos últimos anos. A IA só pode ser transformadora quando proporciona verdadeira inteligência industrial: a capacidade de transformar dados operacionais em tempo real, automação moderna e IA em decisões sincronizadas que melhoram a eficiência à escala. Muitas organizações continuam a operar em ambientes existentes com dados fragmentados e sistemas legados que limitam o valor e a adoção da IA. Fechar este fosso de preparação é agora uma das principais prioridades de competitividade para o setor de CPG,” afirmou Neil Smith, President CPG da Schneider Electric.

A barreira não é a tecnologia de IA, mas sim a preparação estrutural para a inteligência industrial

Apesar da forte confiança no potencial da IA, os inquiridos identificam de forma consistente obstáculos estruturais, e não tecnológicos, como os principais entraves à escalabilidade:

  • Lacunas de competências em IA ou ciência de dados (43%)

  • Sistemas e infraestruturas de automação legados (37.5%)

  • Falta de dados operacionais contextualizados (36.3%)

  • Resistência da força de trabalho (25.7%).

Todos estes fatores surgem à frente das preocupações com cibersegurança ou conformidade (21.7%).

“Os resultados são claros: alcançar o ROI transformador esperado da IA industrial em apenas quatro anos exige uma mudança significativa na colaboração, transparência e normas partilhadas. Através dos SE Advisory Services, já estamos a aplicar o nosso know-how de fábricas Lighthouse junto de clientes em todo o mundo, ajudando-os a transformar ambição digital em impacto mensurável. Acreditamos que a partilha e implementação de boas práticas e de conhecimento específico do setor vão catalisar a próxima vaga de transformação digital industrial,” comentou Cécile Vercellino, SVP Services, Industrial Automation da Schneider Electric.

O novo documento “ Beyond the Hype: Practical AI for Competitive Consumer Goods Manufacturing ”, publicado pela Schneider Electric em colaboração com a AVEVA, fornece orientações para a implementação bem-sucedida de IA nos setores de alimentos e bebidas e ciências da vida. O relatório descreve o caminho para operações autónomas através de dados industriais, automação modular, eletrificação e etapas de implementação de IA industrial.