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Conhece o perigo associado à inalação de amianto?

Publicado: 30 de janeiro de 2017 Categoria: Artigos técnicos

A exposição a este material, também conhecido como asbesto, constitui um grande risco para a saúde de muitos profissionais. No seu trabalho diário, os electricistas podem correr o risco de inalar as fibras deste mineral, entretanto proibido.

Conhece o perigo associado à inalação de amianto?



Durante décadas, o amianto foi utilizado em quase todas as fases da construção de casas, escritórios ou de edifícios comerciais. Tal deve-se às suas características únicas que lhe conferem imensa flexibilidade e que garantem enorme resistência química, térmica, acústica e mesmo eléctrica.

Por ser extremamente versátil, a amianto pode ser encontrado em quase todas as divisões da sua casa ou dos seus clientes, como se exemplifica em baixo (clique na imagem para aumentar):

Imagem: "Prevenir os riscos de exposição ao Amianto", autoria do Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social.


Dada a sua popularidade, é possível que esteja exposto a este material se trabalhar com circuitos em mau estado de conservação e que sejam anteriores a Junho de 2005, data em que entrou em vigor o Decreto-Lei 101/2005 e que proíbe a sua comercialização em Portugal. Esta proibição ocorreu paralelamente em muitos outros países, quando foram conhecidos os riscos de saúde associados à exposição a este material.

E a que se deve a proibição? Segundo a Direcção-Geral de Saúde"as diferentes variedades de amianto são agentes cancerígenos", pois "podem depositar-se nos pulmões e aí permanecer por muitos anos, podendo vir a provocar doenças, vários anos ou décadas mais tarde".  Tal risco leva a que a exposição e contacto com o material deva "ser reduzida ao mínimo"

A inalação das fibras libertadas no ar pode acontecer quando os materiais que os contém se degradam ou quando manipulados incorrectamente. Por essa razão, a recomendação do Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social é a de que, em caso de dúvida ou se não possuir a formação adequada, evite o manuseamento dos referidos materiais.  


O porquê da utilização do amianto em circuitos eléctricos

Como já referimos, o amianto é um óptimo isolante natural, por dificilmente conduzir calor ou electricidade. Por essa razão, há muito que se recorria às sua fibras para produzir um sem-número de materiais de isolamento: paredes; canalização; fornos, aquecedores e bombas; e ainda para envolver cabos utilizados em circuitos eléctricos. Neste último exemplo, em particular, era comum encontrar material isolante como papel, pano ou fitas isoladoras, todos com fibras de amianto na sua composição.  



De que forma podem os electricistas estar expostos ao amianto?

A primeira causa para que os electricistas estejam expostos à fibras aéreas de amianto são os próprios cabos eléctricos. Antes de se conhecerem os reais perigos do amianto, a sua utilização como isolador de corrente eléctrica estava bastante disseminada. Por essa razão, é muito provável que venha a trabalhar com cabos que antecedem a legislação actualmente em vigor.

Um profissional do sector que trabalhe em edifícios anteriores a 2005 podem estar exposto com o simples manuseamento de cabos. Ao descarnar cabos antigos e desfazer os isolantes que os envolvem, as fibras que os compõem podem espalhar-se pelo ar e posteriormente ser inaladas. Fazer furos numa parede que contenha amianto é particularmente perigoso, dada a quantidade de pó produzida, no entanto é uma prática muito comum para conseguir acesso aos circuitos aí instalados. 
 
Quem trabalhe em zonas de construção corre o mesmo risco, ainda que de forma indirecta. Mesmo que não trabalhe directamente com cabos ou paredes com amianto. Outros profissionais da obra podem estar a fazê-lo por eles, ao manusear inadequadamente os isolantes de paredes ou de tectos. Daí que todos os trabalhadores devem ter uma precaução acrescida. Em particular com a poeira que normalmente se levanta neste tipo de ambientes.  

 



Quão grande é o risco de exposição para um electricista?

Os estudos realizados internacionalmente são inconclusivos no que toca ao risco associado aos electricistas em particular. Alguns concluíram que o risco é moderadamente elevado e outros que — ainda que o risco tenha vindo a crescer — este ainda se encontra abaixo de níveis aceitáveis. O único consenso é o de que um electricista está mais exposto do que a grande maioria das outras profissões. 

Num dos estudos realizados, mais de uma centena de profissionais — entre os quais se incluíam electricistas — foi analisado com o objectivo de detectar indícios de mesotelioma. Este forma de cancro é normalmente provocada por exposição a amianto e foram encontradas proteínas que sugerem a sua presença. Electricistas, montadores de tubagens e responsáveis de manutenção foram as profissões que apresentaram maior risco.

Um segundo estudo visava especificamente electricistas e pretendia averiguar se o risco de exposição provinha dos productos eléctricos em si ou se seria outra a fonte. Concluiu-se que os electricistas têm, de facto, um maior risco do que a população em geral. Porém, tal risco provém do facto de estarem frequentemente expostos à poeira que se levanta nas zonas de construção. 

Outro estudo pretendia medir o risco proveniente do descarnamento de cabos antigos ou o uso impróprio destes. Acontece com alguma frequência que cabos antigos sejam reutilizados e reciclados para retirar o cobre no seu interior. Ainda que tal seja usualmente feito à base de máquinas, os investigadores perguntaram-se se o profissionais que operam a referida maquinaria estarão expostos a níveis perigosos de amianto. A conclusão a que chegaram é a de que a presença de fibras se encontra ainda em níveis aceitáveis.  

Quaisquer que sejam os indicadores encontrados, certo é que o material tem a sua venda e utilização proibida no país por constituir um risco para a saúde. Por precaução, tenha especial precaução e, em caso de dúvidas, não deixe de entrar em contacto com as autoridades competentes.  



Dada a importância e sensibilidade do tópico em questão, a Voltimum recomenda-lhe que consulte mais fontes para obter informação complementar e em constante actualização: