O constante aumento demográfico e o envelhecimento da população mundial permitem compreender o motivo pelo qual o sector da saúde ganha um maior destaque e espaço para reflexão sobre o seu actual papel na sociedade. A crescente informação disponível e a possibilidade de escolha dos utentes fazem com que a expectativa relativamente aos serviços, equipamentos e experiência hospitalar seja mais exigente, impondo a necessidade de uma visão diferenciada. A estes requisitos junta-se a situação económica difícil que se atravessa e que determina exigências energéticas apertadas obrigando a mudar o paradigma actual dos Hospitais.
Ritmo frenético 24 horas por dia e repleto de emoções contrastantes, assim é a atmosfera vivida diariamente nos Hospitais.
Tanto os espaços exteriores como os interiores dos hospitais desempenham funções importantes na percepção e bem-estar de quem os frequenta, sejam pacientes, funcionários ou visitantes, onde a iluminação se apresenta como um factor-chave no modo como os espaços são experienciados desde o primeiro segundo.
Os hospitais mais antigos utilizam ainda uma linguagem demasiado impessoal e opressiva, desadequada ao ambiente de tranquilidade desejado, actuando negativamente no processo de cura do paciente através de ambientes excessivamente clínicos. Esta desadequação verifica‑se tanto ao nível da iluminação como da própria arquitectura que, nos últimos anos, assistiu a uma transformação substancial de princípios privilegiando ambientes mais coloridos e humanizados, com grandes janelas até ao solo que permitem um maior proveito da luz natural e onde espaços interiores e exteriores comunicam com maior fluidez permitindo ao paciente ter uma saudável ligação com a envolvente.
Actualmente, o grande desafio dos Hospitais centra-se em oferecer a melhor experiência possível ao paciente, funcionários e visitantes, visando o seu reconhecimento como instituições idóneas, de qualidade e que apresentam mais-valias face à concorrência, influenciando escolhas futuras.
A iluminação eléctrica permitiu um horário alargado de funcionamento dos Hospitais e consigo trouxe um aumento do consumo energético sendo, em média, o dobro do de outras tipologias de edifícios.
Também nestes espaços, onde a qualidade do serviço deve ser irrepreensível, a acentuada pressão económica manifesta-se reclamando uma maior racionalização de recursos qualquer que seja a sua índole e com o aumento dos preços da energia a iluminação é um dos recursos com maior potencial de poupanças efectivas com um retorno de investimento interessante.
Vários estudos de entidades independentes comprovam que a luz, tanto natural como artificial, tem uma forte influência no comportamento, desempenho e, consequentemente, na melhoria do estado de espírito e saúde do ser humano. O ritmo circadiano é controlado pela intensidade e composição espectral da luz que nos rodeia afectando a qualidade de sono e humor, indicando ao nosso organismo quando deve estar mais activo (durante o dia) ou mais relaxado (durante a noite). No caso de funcionários e pacientes que passem muitas horas sem luz natural, esta noção de tempo é afectada tal como a sua saúde devido ao défice dos níveis de cortisol, daí que a luz artificial deva ter este papel mimético. Aqui, sistemas dinâmicos de cor poderão ser relevantes contribuindo também para amenizar o stress traduzindo-se numa mais-valia, como no caso de salas de exames, ajudando o paciente a descontrair e adoptar uma postura mais colaborativa com os funcionários.
Este reconhecimento da iluminação como promotora de saúde permite que a “estadia” do paciente seja mais curta, originando uma redução de despesas para o Hospital.
A iluminação e a preocupação com a eficiência energética devem ser consideradas no projecto luminotécnico desde uma fase inicial, acompanhando o projecto de arquitectura para se obter a solução ideal onde conforto, performance e eficiência se harmonizam dando sentido à forma.
Quando se fala em eficiência energética, imediatamente se pensa em sistemas de controlo mais ou menos inteligentes com tipos de comunicação diversos como é o caso da comunicação via wireless ou DALI, como meio de poupança energética. No entanto, um sistema de iluminação eficiente não se rege apenas pela aplicação de sistemas de controlo. Em primeiro lugar passa pela selecção de luminárias eficientes e adequadas à função, com bom rendimento, ou seja, com uma boa relação entre o fluxo luminoso e potência, materiais de qualidade, incluindo difusores e reflectores, aliados a balastros electrónicos de baixas perdas que eliminam o efeito Flicker e fontes de luz com uma elevada vida útil para obter uma redução de custos de manutenção da instalação.
Actualmente, a tecnologia LED ganha terreno face a outras fontes de iluminação pela sua elevada eficiência, contudo proliferam soluções nem sempre bem conseguidas por não haver consciência ou conhecimento técnico para uma análise do proposto por parte do decisor. Há que considerar a qualidade dos componentes e a fiabilidade da informação fornecida para evitar problemas precoces com a instalação. Os LEDs apresentam, todavia, vantagens relevantes como a emissão reduzida de calor e assim um menor recurso de ar‑condicionado, reduzindo custos de AVAC, já têm um elevado Índice de Restituição Cromática que pode ser significativo em alguns diagnósticos. É importante mencionar que não emite radiações UV nem infravermelhos e não contém Mercúrio. Permitem ainda uma maior customização e flexibilidade das soluções, abrindo um leque infindável de conceitos dirigidos ao indivíduo e que ajudam na sua recuperação.
Sempre que faça sentido deverão ser integrados sistemas de controlo com sensores de luz natural, de modo a que os níveis de iluminância sejam os ideais no decorrer do dia, aproveitando ao máximo o recurso natural gratuito que temos ao nosso dispor. Atribuindo a cada ponto de luz um canal específico, advém daí a possibilidade de cada ponto ter um comportamento diferenciado e adaptado ao momento. Outra possibilidade de controlo é a implementação de sensores de presença e movimento em que a função ON/OFF permite ligar ou desligar as luminárias consoante a detecção de presença ou não, desresponsabilizando o utente de um possível mau uso da iluminação.

Os sistemas de controlo, quaisquer que sejam, devem ser intuitivos para evitar constrangimentos, permitindo ao utente a customização de cenários, intensidade, e outros, de modo a sentir-se o mais confortável possível.
A integração consciente destes vários tipos de sistemas de controlo permite uma poupança considerável na factura energética e menos emissões de carbono, contribuindo para uma menor pegada ecológica.
A preocupação com a eficiência energética não deve subordinar aspectos importantes para uma boa iluminação. A solução ideal deve considerar factores relacionados com a eficiência energética sem desprezar o conforto ou a qualidade da iluminação, resultando num edifício sustentável direccionado para o indivíduo, atribuindo-lhe um sentido de dignidade e valorização.
Tânia Viegas
Aura Light