Mais de metade das empresas planeia aumentar o envolvimento com créditos de carbono até 2030, revela novo relatório da SE Advisory Services.
O novo relatório dos SE Advisory Services revela que mais de metade das empresas planeia aumentar o envolvimento até 2030, marcando uma nova fase de maturidade nos mercados globais de carbono, num contexto de incerteza de ESG.
Quatro em cada 10 inquiridos afirmam que as suas organizações já interagem ativamente com créditos de carbono de elevada integridade através de compra, investimento ou desenvolvimento de projetos, para gerir o risco climático, reforçar a resiliência da cadeia de abastecimento e criar valor estratégico a longo prazo.
46% identifica a falta de clareza nas políticas e nas orientações como o principal obstáculo à expansão, seguida pela incerteza nas políticas governamentais (40%).
55% planeia expandir o envolvimento com créditos de carbono até 2030, enquanto apenas 12% não tem qualquer estratégia definida.
À medida que as regulamentações ESG enfrentam novos desafios políticos e económicos, um novo inquérito global da SE Advisory Services – o novo ramo de consultoria global da Schneider Electric, líder global em tecnologia energética – sugere uma mudança silenciosa, mas decisiva: os líderes empresariais e os profissionais de sustentabilidade confiam nos créditos de carbono enquanto ferramentas climáticas credíveis.
O relatório Carbon Credit Outlook 2025 revela que dois terços das empresas já utilizam normas certificadas pela ICROA, e que 55% aplica os Princípios Fundamentais de Carbono (CCPs, na sua sigla em inglês) do Integrity Council for the Voluntary Carbon Market (ICVCM) para avaliar a qualidade dos projetos. Isto indica que as normas, os sistemas de verificação e as infraestruturas para créditos de carbono de elevada integridade estão solidamente estabelecidos.
O que antes era um mercado envolvido em ceticismo, agora amadureceu, tornando-se num espaço definido por estrutura e intenção. As empresas têm confiança, vontade e recursos para se envolverem – e estão a fazê-lo ativamente. Apesar da incerteza regulamentar, 40% dos inquiridos refere que as suas organizações já estão envolvidas em atividades relacionadas com créditos de carbono, utilizando-os para gerir o risco climático, fortalecer a resiliência da cadeia de abastecimento e criar valor a longo prazo. Olhando para o futuro, 55% planeia aumentar a participação no mercado voluntário de carbono até 2030; e apenas 12% não inclui créditos de carbono na sua estratégia. Este aumento do envolvimento reflete uma mudança de perceção: os créditos de carbono estão a tornar-se investimentos estratégicos, e são utilizados para cumprir compromissos e metas climáticas e dar resposta às expectativas dos stakeholders.
“Num contexto em que a descarbonização global exige investimentos sem precedentes – sendo que só os países em desenvolvimento necessitam de 1 bilião de dólares por ano até 2030 –, os créditos de carbono oferecem um mecanismo comprovado para as organizações apoiarem ações climáticas verificadas, ao mesmo tempo que constroem valor estratégico,” afirma Mathilde Mignot, Group Director, Nature & Technology-Based Solutions da SE Advisory Services. “Algo fundamental está a mudar na forma como as empresas encaram os créditos de carbono. Quando quase um em cada cinco inquiridos está a desenvolver os seus próprios projetos, fica claro que o mercado está a ganhar dinamismo. Estas empresas reconhecem que terem a sua estratégia de carbono significa que podem controlar a sua narrativa climática.”
As empresas estão também a repensar a composição dos seus portefólios de carbono, equilibrando o impacto climático a curto prazo com a inovação a longo prazo.
Os créditos de remoção baseados na natureza, como a florestação, a reflorestação e a restauração de ecossistemas continuam a ser uma prioridade clara:50% dos inquiridos consideram-nos como os mais importantes para os seus portefólios. Referem que estes projetos proporcionam um impacto climático imediato, enquanto promovem a biodiversidade e benefícios para as comunidades;
Os créditos de prevenção e redução, incluindo a proteção florestal, as energias renováveis e os projetos de eficiência energética ocupam o segundo lugar, com 34% a dar-lhes prioridade em relação às remoções baseadas em tecnologia;
Até agora, 16% dos inquiridos já dão prioridade a créditos de carbono emitidos por métodos de remoção baseados em tecnologia e híbridos, como a captura direta de carbono do ar (DAC), a bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS) e o biocarvão. Isto sugere um reconhecimento crescente das soluções baseadas em tecnologia como parte de estratégias climáticas abrangentes
Ainda assim, quase metade (46%) dos inquiridos identifica a falta de orientação sobre a integração dos créditos de carbono nas atuais estruturas climáticas como o principal obstáculo ao crescimento do seu envolvimento, seguida pela incerteza nas políticas governamentais (40%). Segundo a SE Advisory Services, estas lacunas podem travar o investimento, apesar de haver uma forte vontade de ação por parte das empresas.
“Os líderes empresariais estão cada vez mais confiantes na infraestrutura de qualidade que já existe, mas precisam de orientações claras sobre como os créditos de carbono voluntários complementam os sistemas de conformidade. Criar caminhos transparentes entre a ação voluntária e a regulamentada ou apoiada pelo governo é o próximo passo para permitir a ação corporativa credível e em larga escala,” comenta William Theisen, Commercial Director, Nature & Technology-Based Solutions da SE Advisory Services. “Neste momento que vivemos, temos uma oportunidade única para estabelecer estas estruturas. O mundo está atento a mecanismos concretos que desbloqueiem capital privado na dimensão exigida pela ciência climática.”
Com 37 jurisdições a integrar atualmente sistemas de créditos ou de fixação de preços de carbono nas políticas nacionais, a SE Advisory Services prevê que os instrumentos de fixação dos preços de carbono se tornem centrais nas estratégias de descarbonização das empresas e dos governos. Para além disso, em 2025 surgiram coligações governamentais com o objetivo de reforçar os mecanismos do mercado voluntário de carbono e harmonizar padrões de qualidade. Para transformar confiança em impacto, o relatório apela a que governos, quem fixa as normas e investidores se alinhem em torno de frameworks claros e integridade elevada, permitindo que o capital privado possa fluir na medida necessária para atingir os objetivos globais de neutralidade carbónica.
Notas aos Editores
O Carbon Credit Outlook 2025 baseia-se num inquérito anónimo composto por 14 perguntas e foi realizado ao longo de seis semanas, tendo sido concluído em julho de 2025.
Os inquiridos representaram cerca de 30 nacionalidades e um leque diversificado de setores, incluindo agricultura, indústria transformadora, banca, bens de consumo, engenharia e consultorias técnicas, indústria pesada, sociedades de advogados e consultoras, e organizações do setor público.
Cerca de um terço dos participantes ocupa cargos executivos ou de liderança, um quinto são gestores e responsáveis de sustentabilidade, e outro quinto consultores e assessores.
Foram ainda representados profissionais das áreas de governação, risco e conformidade, especialistas da área do clima e do carbono e finanças, sublinhando que as conclusões refletem a opinião de profissionais em posições de decisão e influência nas estratégias corporativas sobre o clima e a sustentabilidade.