Imagine se conseguíssemos retirar 100 milhões de carros das estradas. Eliminar esses 10% de veículos de passageiros contribuiria para uma dramática redução das emissões de CO2 em 350 megatoneladas por ano, o que seria, sem dúvida, uma contribuição valiosa para combater a crise climática.
Mas, e se conseguíssemos esse mesmo impacto ambiental sem perturbar o nosso quotidiano? É exatamente essa intenção que está por detrás do desenvolvimento e adoção da nova tecnologia de interruptores livres de gás SF6, que permite às empresas de eletricidade e aos gestores de edifícios contribuir para o combate ao aquecimento global e reduzir a sua pegada de carbono.
O que é e onde está o SF6?
Os sistemas de alimentação elétrica utilizam interruptores, isto é, dispositivos de interrupção de corrente que controlam o fluxo de corrente elétrica, iniciando ou interrompendo a passagem de corrente entre os pontos A e B. Cada interruptor tem de ter a capacidade de interromper a corrente elétrica, efetuar o isolamento e assegurar a operação segura da rede.
Atualmente, mais de 30 milhões de unidades de interruptores de média tensão instaladas em todo o mundo utilizam hexafluoreto de enxofre (SF6). O SF6 tem vindo a ser utilizado nessas instalações há várias décadas devido à sua grande fiabilidade e bom desempenho. Porém, é um gás com efeito de estufa que contribui para os problemas climáticos que enfrentamos hoje.
Qual é o seu impacto? Imagine-se um simples interruptor-seccionador que integra uma unidade. Em média, este tem cerca de 1kg de SF6 no seu interior. Esse quilograma de SF6 tem o mesmo impacto que 23.500kg de CO2. Isto é, o mesmo que uma viagem de carro de cerca de 200.000 km (se considerarmos que um veículo médio emite cerca de 120g de CO2 por quilómetro).
O setor dos serviços públicos pode liderar a mudança
O setor dos serviços públicos representa 80% do mercado global de SF6. Assim, é lógico que lidere a mudança para a redução de utilização de SF6, adotando produtos mais amigos do ambiente, como os interruptores isentos de SF6.
A nova tecnologia de interruptores de média tensão que utiliza a interrupção a vácuo e isolamento a ar permite evitar a utilização de SF6. E, apesar dos interruptores com isolamento a ar para aplicações de média tensão terem a reputação de serem demasiado grandes em comparação com a tecnologia a gás, esse já não é o caso. As alternativas atuais aos interruptores com SF6 são tão compactas quanto as versões que contêm gás, e são também económicas. Apresentam-se, por isso, como a alternativa ideal para os equipamentos utilizados atualmente.
As soluções sustentáveis já existem – e necessitamos delas mais do que nunca
A implementação de interruptores de média tensão sustentáveis reduz as emissões de gases com efeito de estufa através da eliminação da necessidade de criar um novo gás para substituir o SF6, evitando, por conseguinte, problemas com a recuperação em fim de vida, reciclagem e fugas.
A implementação de alternativas isentas de SF6 é prioritária, visto que o consumo global de energia continua a crescer, antecipando-se um crescimento de 48% em 2040. Estudos demonstram que o aumento das emissões de SF6 tem sido principalmente causado pela crescente procura de eletricidade nos países em desenvolvimento, em particular a China, que consome as maiores quantidades de SF6 em todo o mundo. À medida que a nossa dependência da eletricidade aumenta, o modo como a produzimos, distribuímos e utilizamos também deve evoluir. Interruptores isentos de SF6 são parte da revolução energética porque reduzem a pegada de carbono da rede elétrica em comparação com os interruptores que utilizam SF6.
Limitar as emissões de gases com efeito de estufa e aumentar a sustentabilidade são já prioridades de muitas empresas e indivíduos. Apesar de muitos já estarem a tomar medidas importantes para reduzir o seu impacto ambiental através de ações como a redução do consumo de energia, reciclagem, a limitação da utilização de automóvel próprio, as empresas que utilizam tecnologias de média tensão dispõem agora de opções sustentáveis e da possibilidade de diminuir as suas emissões de gases com efeito de estufa através da escolha de equipamento ecológico.
AUTOR: João Damas, Power Systems Product Application Engineer, Schneider Electric