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Schneider Electric, AVEVA e Royal Avebe apresentam exemplo prático de eletrificação industrial apesar das limitações da rede elétrica europeia

Publicado: 13 de maio de 2026 Categoria: Notícias do sector

Com 14 mil empresas neerlandesas a fazer fila para aceder à rede e tempos de espera de até 10 anos para uma nova ligação elétrica ou a atualização de uma existente, a Schneider Electric e a Royal Avebe demonstraram que é possível dar passos significativos rumo à eletrificação dentro de ligações de rede já existentes.

Schneider Electric, AVEVA e Royal Avebe apresentam exemplo prático de eletrificação industrial apesar das limitações da rede elétrica europeia

A Schneider Electric , líder global em tecnologia energética, estabeleceu uma parceria com a Royal Avebe , cooperativa de amido e proteína vegetal detida por agricultores, para eletrificar uma das suas unidades de produção dos Países Baixos sem necessidade de reforçar a rede elétrica para além do limite máximo de ligação existente na instalação. A unidade em causa é instalação de Foxhol, uma área de derivados de amido composta por várias instalações de produção combinadas com fornecimento de serviços a terceiros.

A congestão das redes elétricas na Europa tornou-se um dos maiores obstáculos à descarbonização industrial. Em todo o continente, mais de 1.700 gigawatts de energia limpa e projetos de eletrificação estão retidos em filas de espera para ligação à rede, 133% anualmente desde 2021, de acordo com o   Power Barometer   da Eurelectric. Só nos Países Baixos, mais de 14 mil empresas aguardam a capacidade de que precisam para crescer, eletrificar-se ou descarbonizar-se. Para muitas, a espera dura até uma década.

Ao trabalharem em conjunto na unidade de produção Foxhol da Avebe, em Groningen (Países Baixos), as duas empresas demonstraram que é possível adicionar uma nova caldeira elétrica industrial, eliminar o aquecimento por combustíveis fósseis e tornar-se um prosumer ativo de energia – tudo dentro dos limites da ligação à rede existente na instalação, sem necessidade de reforçar a rede elétrica pública ou entrar numa fila de espera por capacidade. De forma fundamental, o projeto apoia ativamente o equilíbrio da rede, criando margem para que mais empresas e produtores se possam conectar.

O desafio: eletrificar nos limite da rede

Embora os pedidos de ligação à rede na Europa estejam a aumentar, a implementação de novas infraestruturas de alta tensão nos Países Baixos demora entre oito e 12 anos. De facto, 96% das empresas neerlandesas já reportam sentir efeitos diretos ou indiretos da congestão da rede, de acordo com o Dutch SME Monitor. A Associação Química Neerlandesa alertou que esta congestão ameaça a competitividade de toda a base industrial do país.

O próprio Pacote Redes Europeias, publicado em dezembro de 2025, reconheceu que pelo menos 16 Estados-Membros estão a enfrentar problemas com filas de ligação à rede e que este atraso está a atrasar tanto a transição energética como o crescimento económico europeu. A orientação regulamentar ajudará, mas as novas infraestruturas físicas vão demorar anos a chegar. Os fabricantes não podem esperar.

A solução: uma estratégia holística de eletrificação e energia digital

A Avebe envolveu a equipa de Advisory Services da Schneider Electric para repensar fundamentalmente como é que a instalação de Foxhol utiliza, gere e troca energia. O resultado é uma estratégia integrada de eletrificação assente em três pilares: controlo unificado de energia e processos, inteligência energética em tempo real e gestão dinâmica de cargas.

A plataforma consolida, numa única visão operacional, dados de mais de 1.000 pontos em toda a instalação, incluindo 542 relés inteligentes de média tensão. Quando a procura na rede aumenta, o sistema ajusta automaticamente as cargas elétricas para operar dentro dos limites contratados e das restrições técnicas da instalação. Quando a energia renovável é abundante e a procura local na rede é baixa, a instalação absorve o excedente e contribui ativamente para a estabilidade da rede.

Este roteiro de eletrificação contribui diretamente para as metas climáticas da Avebe, incluindo uma redução de 30% das emissões até 2030 e uma melhoria contínua de 1.5% por ano na eficiência energética.

“Continuar a eletrificar os nossos processos produtivos é um passo importante para tornar as nossas operações mais sustentáveis,” afirmou Joyce de Vries-Pieterman, Director, Communication & Public Affairs da Avebe. “Em conjunto com a Schneider Electric, estamos a demonstrar que é possível progredir de forma concreta para uma produção mais preparada para o futuro e mais eficiente do ponto de vista energético, dentro dos limites que a nossa atual ligação à rede permite.”

“O que a Avebe alcançou em Foxhol é uma prova de conceito para a Europa industrial. As limitações da rede não têm de significar atrasos na descarbonização. Com a combinação certa de eletrificação, automação aberta e inteligência digital, os fabricantes podem agir já,” declarou Neil Smith, President, Consumer-Packaged Goods da Schneider Electric.

A arquitetura tecnológica

Para concretizar este projeto, a Schneider Electric implementou uma arquitetura digital totalmente integrada, que unifica a automação elétrica, o controlo de processos e a visibilidade operacional em tempo real. A solução inclui:

  • EcoStruxure™ Foxboro DCS para controlo unificado de processos

  • EcoStruxure™ Electrodynamic Controller para orquestração de cargas em tempo real

  • EcoStruxure™ Control HMI para visibilidade e intervenção operacional

  • EcoStruxure™ EPAS para configuração e ambientação de engenharia

  • Integração do AVEVA PI System , consolidando numa única visão operacional mais de 1.000 pontos de dados provenientes de 542 relés inteligentes de média rensão e de equipamentos legados.

Um modelo replicável para a indústria europeia

A abordagem da Avebe foi concebida para ser escalada. A mesma combinação de gestão dinâmica de cargas, inteligência energética em tempo real e capacidades de prosumer pode ser aplicada em qualquer instalação industrial intensiva em energia na Europa que enfrente limitações de rede semelhantes. Para fabricantes dos setores alimentar e bebidas, químicos, papel e outros – indústrias que, em conjunto, representam uma parte significativa das emissões industriais da Europa –, esta abordagem oferece uma forma de avançar na descarbonização sem ter de esperar por uma expansão de grande escala das infraestruturas de rede, que poderá estar a uma década de distância.

A instalação de Foxhol está agora preparada para integrar produção renovável no local e monitorização avançada de ativos de IIoT como próximo passo, tirando partido do alicerce digital já implementado.