A maior parte dos recursos ambientais não tem um preço de mercado formalmente reconhecido. No entanto, é sabido que a Natureza está na base de bens e serviços que são importantes para a nossa sociedade. Muitos dos quais são, aliás, essenciais para a nossa sobrevivência. Esta é a base para a chamada "economia verde".
Numa casa "inteligente", muitos dos aparelhos podem funcionar em rede, permitindo o seu acesso e a sua operação através de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Este SGA torna possível ligar, de forma remota, o aquecimento ou o ar condicionado de casa ou monitorizar o consumo energético de aparelhos ou equipamento específicos. Por exemplo, poderia acompanhar o uso energético da bomba da piscina ou consultar quanta energia poupa ao utilizar a nova máquina de lavar louça.
As casas conectadas através das smart grids são, aliás, o último componente da própria rede. A forma como a energia é consumida, gerada e armazenada (ou re-inserida na rede) pelo consumidor final vai influenciar a gestão da rede. Este é um factor crucial quando se considerem questões de sustentabilidade e segurança energética, preocupações cada vez maiores à medida que a tecnologia se desenvolve. Por isso põe-se a questão: o que são as "smart homes" e qual o papel que desempenham?
O conceito de uma casa "inteligente" surgiu há várias décadas e é anterior às redes elétricas inteligentes. A casa futurista que se idealizava era uma capaz de fornecer serviços que facilitassem a vida dos seus residentes. A limpeza da casa seria feita de forma automatizada e inventaram-se novos dispostivos domésticos com todo o tipo de funcionalidades. A incorporação destes aparelhos, sensores e demais dispositivos automatizadas veio aumentar – e muito – o consumo residencial de electricidade.
O consumo de electricidade cresceu de forma acelerada em países onde previamente as casas já comportavam aparelhos e processos automatizados. Para além disso, há que considerar outro fenómeno da modernização: o envelhecimento da população, que leva a que as pessoas passem mais tempo em casa — e por mais tempo —, aumentado o consumo energético ainda mais. Com todas estas acções diárias a ser modernizadas, o sector residencial é agora um elemento chave no consumo mundial de electricidade.
É então que surge uma enorme alteração no paradigma. Ainda que se se consuma cada vez mais electricidade, os peritos do sector energético defendem que as casas "inteligentes" promovem maior eficiência na produção e consumo de energia, ao permitirem automatizar vários serviços. Isto porque o equipamento é construído por forma a permitir a monitorização e o controlo. Veja-se o exemplo do software que liga e desliga luzes e aparelhos de forma automática, de acordo com um horário pré-definido e com os hábitos dos seus ocupantes. Ao incorporá-lo, as "smart homes" deixam de ser uma fonte de consumo excessivo de energia, mas sim uma de poupança de energia. Para tal, tiram o máximo proveito da energia criada localmente e tendo em conta os horários de consumo a evitar, pelos seus custos elevados. No entanto, para aproveitar ao máximo os benefícios de uma casa "inteligente", esta tem que ser bem utilizada. De nada servirá que a casa tenha um sistema passivo de ventilação se os seus ocupantes deixarem as janelas abertas ou se agendarem os aparelhos para que funcionem em horários de pico.
Para além de se investir na educação das pessoas para que consumam energia de forma mais eficiente, foram criadas compensações e penalizações para alterar o comportamento de empresas e particulares. O objectivo é que todos colaborem para o equilíbrio do sistema. No passado, as empresas eram as principais penalizadas com este sistema, no entanto prevê-se que o mesmo venha a acontecer com utilizadores domésticos que poderão ver os preços disparar em até 99% no horário de pico entre as 16h00 e as 20h00.
Vários projectos-piloto que se servem destas tarifas residenciais para penalizar o consumo obtiveram reduções na ordem dos 13 a 20%. Se apenas considerarmos a utilização de tecnologias modernas, a redução cresce para os 27 a 44%, pelo que é evidente o seu contributo para a redução do consumo. Mas é importante notar que os períodos de pico são relativamente curtos — até quatro horas, por exemplo —, o que facilita a alteração de hábitos de consumo.
É através de uma boa integração com redes inteligentes que os consumidores melhor conseguem colher frutos das suas casas "futuristas". Estas redes podem ajudar a integrar energia gerada dentro das próprias casas, através de fontes renováveis, para além de promoverem a redução do consumo de energia, como já mencionado.
Porque as casas "inteligentes" são componentes integrais de uma "smart grid", a sua correcta utilização ajuda a contornar os problemas de sustentabilidade ou de segurança com que as empresas lidem. E porque a integração correcta só é possível com a ajuda dos melhores instaladores, a sua participação enquanto profissional é crítica para o sucesso deste tipo de tecnologia. Cabe-lhe a si ensinar o utilizador final a maximizar cada um dos seus aparelhos para que este evite custos adicionais. Eduque os seus clientes para benefício destes, de toda a classe profissional e, mais importante, para uma melhor sustentabilidade do planeta.
Texto original de Soraia Antunes (Voltimum UK), traduzido para português